Escolhemos errado?



No próximo sábado, começa para a Série A mais um Campeonato Brasileiro. Esta que é a sua décima edição disputada na fórmula de “pontos corridos.”
E como já é recorrente em discussões seja de amigos no bar, seja nas mesas redondas de programas esportivos, o tema “mata-mata” contra “pontos corridos” sempre gera polêmica e discórdia.

Um dos principais argumentos utilizados por quem defende o retorno do “mata-mata” à principal competição é a emoção que a “final” proporciona.

Ora, me parece impreciso dizer que a fórmula de disputa em “pontos corridos” não tem essa mesma emoção tão aclamada no outro modo de disputa.
Para tanto vamos a um exemplo bem recente; de ontem mesmo:

Um pouco antes das, em tese, emocionantes “finais” dos Estaduais aqui no Brasil, na Inglaterra acontecia a última rodada do campeonato nacional.
Na briga pelo título inglês, Manchester City e Manchester United chegaram na rodada derradeira empatados em pontos, porém o City levava vantagem no saldo de gols e por ter vencidos os dois jogos em confronto direto contra o rival. (1x6 e 1x0).

Para o Manchester City ser campeão, precisava apenas vencer seu jogo e nada mais.
Já para o Manchester United conquistasse o título, precisava vencer o seu jogo fora de casa e torcer empate ou derrota do City.
Os jogos aconteceram simultaneamente.

Pois bem, em certo momento dos jogos, o United vencia o Sunderland por 1x0, e o seu rival City perdia para o Queens Park Rangers, em casa, por 2x1.
Neste instante, enquanto os torcedores do City choravam um título que o clube não conquistava há 44 anos, a parte vermelha da cidade comemorava seu, até então, 20º título nacional.

Mas nem tudo estava decidido.
O City foi para cima, e numa reviravolta espetacular, marcou dois na prorrogação do jogo e foi campeão nacional após quase meio século de espera.
Sua torcida, descontrolada, invadiu o gramado e celebrou com os jogadores o doce sabor da conquista.

Enquanto isso, aqui no Brasil, em campeonatos com fórmulas mais variadas possíveis - porém com todas elas prevendo finais - tivemos jogos extremamente chatos e o mais importante, sem a emoção que uma final “vende”.

O que se deve discutir, a meu ver, em qualquer fórmula de disputa não é a emoção que ela pode trazer tampouco o lucro que ela vai gerar, mas sim a justiça e isonomia que ela vai coroar o mais competente durante toda a competição, e não apenas em um ou dois jogos.

Vejamos o caso do campeonato catarinense:

O Figueirense venceu os dois turnos e mesmo assim não foi considerado campeão estadual. Teve ainda que disputar mais dois jogos contra o Avaí.
Resultado: perdeu o primeiro jogo por 3x0 e o segundo por 2x1; sagrando-se assim o Avaí como campeão estadual deste ano.

Será que a emoção trazida aos torcedores do Figueirense nas duas finais, foi maior que emoção de ver seu time vencer dois turnos e ser campeão?

A fórmula de disputa em “pontos corridos” é sem dúvidas a mais justa.
E se a reclamação for por emoção, basta lembrar como foram decididos os três últimos campeonatos brasileiros; com o título disputado até a última rodada e com pelo menos dois clubes pleiteando sua conquista.
Read More

Mister Europa League



Já conhecido dos torcedores brasileiros - principalmente dos botafoguenses - o atacante colombiano Falcao García vem colecionando títulos, belos gols e o mais importante, sendo decisivo nas ligas que disputa no velho continente.

Em julho de 2009, Falcao chega a Europa para jogar pelo Porto, de Portugal. Longe de ser o campeonato mais importante da continente, a Liga Portuguesa serviu como aprimoramento e amadurecimento do atacante.
Mas se enganou quem pensou que o jogador teria dificuldades para se adaptar ao futebol português, afinal tudo é futebol. E Falcao reiterou isso com o que mais sabe fazer: gols e conseqüentemente, títulos.

Em três temporadas de Porto, o jogador marcou 63 gols e conquistou 8 título pelo time português. Dentre eles, a Europa League de 2010/11, onde fez história se consagrando o maior artilheiro da história da competição, com 17 gols. Além de artilheiro, Falcao García fez o gol do título, na final portuguesa contra o Braga.

Diante de números tão expressivos, o jogador despertou interesse de vários clubes. Um deles foi o Atlético de Madri, que na época perdera seus principais atacantes, o argentino Sergio Agüero e o uruguaio Diego Forlan.
E assim aconteceu. Falcao se transferiu ao Atlético de Madri por 40 milhões de Euros.

Na equipe de Madri, após um começo um pouco confuso, sem desequilibrar como fizera em outros momentos, o jogador venceu a desconfiança de todos e hoje é o principal jogador do time alvirrubro.
E para variar, fez muitos gols e de todos os tipos. Em 33 jogos pelo Atlético na Liga Espanhola, o atacante marcou 23 gols, ficando atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Messi na artilharia do campeonato.

Todavia, faltava, além dos gols e ser artilheiro, duas especialidades do jogador: ser decisivo e vencer campeonatos.
E disso ele entende e muito. A prova disso veio na Europa League 2011/12.
Falcao García - com dois gols hoje na decisão da Liga contra o Atlhetic Bilbao – deixou dados históricos para sua carreira: o único artilheiro e campeão por dois times distintos de forma consecutiva em toda a história da competição.

E assim Falcao segue quebrando recordes na Europa. Ele está longe de ser um jogador fantástico com chances de brilhar mais que outros grandes jogadores na Europa, como Ronaldo, Messi, Rooney e outros.
Entretanto, o jogador faz parte de um estilo diferente de atacantes que surge no futebol atual, tão exigente.

Tal estilo que aqui na América do Sul temos um exemplo bem claro, que se chama Cavani. O atacante uruguaio do Napoli-ITA, ao lado de Falcao une habilidade, força, agilidade e o principal, está longe de ser um atacante plantado na área, que só espera a bola chegar.
Falcao García busca a bola, tabela, invade a área, dribla um, dois e até três e bate na gaveta. No entanto, sabe muito bem fazer o simples. É exímio finalizador, tanto com as pernas, quanto com a cabeça.
Portanto, se eu fosse um colchonero (como é conhecido o torcedor do Atlético), eu estaria bem pessimista quanto a permanência do jogador no meu time.

Falaco “tem bola” para jogar em um grande com maiores ambições e condições principalmente financeiras na Europa. Assim como fez Agüero, se transferindo para o milionário Manchester City.

Quem levar o atacante terá um excelente e decisivo jogador em seu plantel.
Aos colchoneros, quem sabe, um “hasta la vista, El Tigre!” e muita saudade do grande do artilheiro, quase um Mister Europa League!
Read More

Calma, Thomás!

Promovido em 2011 ao time principal do Flamengo pelo ex-treinador Vanderlei Luxemburgo, o jogador Thomás não vem tendo muitas chances com o atual treinador rubro-negro, Joel Santana.

A relação Thomás (e de quem cuida dos seus interesses) e Flamengo já começou a azedar quando o clube comunicou ao jogador que solicitaria sua dispensa da Seleção Brasileira Sub-20 que disputaria um torneio internacional, para que ele pudesse ficar à disposição do clube para os jogos da Libertadores. Óbvio que isso desagradou tanto o jogador, quanto seu “staff.”

O que parece, nesta primeira discordância de idéias, digamos assim, é que para o jogador e seus empresários é muito mais importante jogar um torneio na Espanha que disputar a principal competição que o seu clube disputa no primeiro semestre.

Infelizmente, é nítido que a visão é apenas comercial. Seus empresários querem a revelação na vitrine internacional. E a camisa canarinho ainda serve muito bem como chamariz para tanto.
E pior, jogador deixaria de jogar pelo clube que arca com seus salários e pelo qual ele tem a obrigação de estar sempre à disposição.

Pois bem, semana passada mais uma decisão do treinador Joel Santana e ratificada pela diretoria do clube só piorou o cenário: o jogador deverá retornar às categorias de base por tempo indeterminado.
Claramente descontentes com esta decisão, somada aquela solicitação de dispensa do jogador pela Seleção Brasileira, o jogador já cogita deixar o Flamengo por empréstimo em um primeiro momento.
Além disso, o jogador também não gostou da comunicação da sua reintegração à base do Flamengo ter sido dada por um interlocutor do Joel, e não pelo treinador.

Não cabe a mim, julgar as razões porque o jogador não vem sendo aproveitado. Muito menos se apenas por isso ele deva devolver o jogador à base. Isso é uma decisão do treinador e, teoricamente, por questões técnicas.

Contudo, o que me causa estranheza e acredito que merece reflexão, é a reação do jogador e mais especificamente dos seus empresários, Alan Espinosa e Gerson Sá. Estes, descontentes com reintegração do jogador a base, reuniram-se com o vice de futebol, Paulo Cesar Coutinho, e com Michel Levy, vice de finanças, para esclarecer os fatos ocorridos e provavelmente buscar justificativas para tais decisões.

Ora, se o jogador tem contrato com o clube, este é soberano sobre qualquer decisão quanto a seus funcionários.O Thomás e seus representantes tem o direito de saber porque o jogador retornará à base, porém não podem usar isso como estopim de uma crise com o clube. E muito menos usar isso como argumento para uma possível saída.

Portanto, acreditando que o afastamento do time principal seja por razões técnicas, o que o Thomás tem que fazer é trabalhar. Só assim, teoricamente, ele poderá reconquistar outras chances.

 Do contrário, ele pode engrossar o número de jogadores com grande futuro, mas que por algumas razões extra-campo, não tiveram a maturidade necessária para tomar as melhores decisões. Até porque muitas vezes estas decisões são tomadas por quem cuida de seus interesses. Pessoas que muitas vezes visam muito mais o retorno de “seus investimentos” que o melhor para o futuro do atleta.
Read More

Disciplina tática não é retranca

Como explicar o triunfo do Chelsea sobre o Barcelona? Sorte? Capricho dos deuses do futebol? Futebol eficiente e de muita marcação? Determinação e garra dos ingleses? Talvez um pouco de tudo isso. O time inglês entrou nos dois jogos com uma proposta de marcação forte e contra-ataques em alta velocidade. Deu certo, conseguiu parar o forte ataque catalão e ainda fazer 3 gols.

Claro que não estaríamos comentando este triunfo hoje se Messi tivesse aproveitado o pênalti que mandou na trave ou se Daniel Alves tivesse saído meio segundo antes para cruzar a bola que resultou no gol bem anulado por impedimento. Sem contar as chances desperdiçadas no primeiro jogo. É aí que entrou a dose de sorte do Chelsea e o capricho divino. Mas quantos times foram campeões sem um toque de sorte?

O jogo passou e minha preocupação agora são as consequências dele. Muitos já estão comparando a situação com o ocorrido com a Seleção Brasileira em 1982 ao perder para Itália. E já começam os burburinhos de que “não adianta encantar e não vencer” e de que é mais eficiente jogar marcando do que jogando bonito. Acredito que tais declarações estão envoltas por um pouco de oportunismo e análises superficiais.

Primeiro, deve-se lembrar de que o futebol praticado pelo Barcelona conquistou vários títulos nos últimos anos. Todo time vencedor uma hora acaba perdendo, pois futebol já ensinou que não existe time eternamente imbatível. Aliás, é um dos poucos esportes onde nem sempre o melhor vence. Além disso, e principalmente, deve-se levar em conta de que o Chelsea não é um praticamente do futebol retranca, apenas precisou dele para este jogo. O time inglês reconhecia a superioridade do Barcelona e sabia que a única forma de superá-lo seria com forte marcação. Procuraram marcar o passe espanhol e com isso evitar suas perigosas tabelas no ataque. A saída para o Barcelona seria a jogada individual (mas Messi não estava num dia inspirado) ou a bola aérea, fato que chegou a ser tentado, mas não é a especialidade do time.

Assim, venceu a forte marcação inglesa. Assim, antes que apareçam “Joéis” tentando enaltecer o futebol de retranca, digo que não se deve confundir retranca com disciplina tática. Não dá para chamar de retranqueiro o time inglês que quase sempre joga com 3 atacantes (atualmente não está jogando assim por causa da fase ruim dos atacantes, como Fernando Torres por exemplo), com Mata e Lampard no meio campo e Ramires e Meirelles subindo sempre. Porém, para enfrentar o Barcelona, a melhor tática não seria jogar aberto, pois provavelmente perderia. Já contra outros adversários, é provável que o Chelsea não jogue desta maneira. É bem diferente de técnicos retranqueiros no Brasil que jogam fechados contra grandes no Campeonato Brasileiro e contra pequenos nos Estaduais.

Outro problema que surge com a derrota do Barcelona é o oportunismo daqueles que agiam com desdém diante do futebol praticado por eles e agora vêm com a famosa frase “eu não disse”. A maioria dos colegas jornalistas o faz por puro bairrismo. E é por causa de pensamentos bairristas como esse que o Futebol Brasileiro está uma porcaria. Ficam nesse “oba oba” e nas frases feitas de que "temos o melhor futebol do mundo" e tapam os olhos para a realidade. Pode haver exagero, mas a admiração ao Barcelona não surgiu de clubismo, mídia ou puro marketing. O time realmente joga um bom futebol e se daqui a 10 0u 100 anos não vai mais jogar assim é outro problema. Isso não impede ninguém de reconhecer o bom trabalho atual deles. O primeiro passo para melhorarmos nosso futebol é justamente reconhecendo que há outros times praticando um futebol melhor fora daqui.

Concluindo, parabéns ao Chelsea pela garra e pela disciplina tática. A eliminação deve chatear os jogadores e torcedores do Barcelona, mas duvido que eles passem a achar que tudo que foi praticado até agora não valeu à pena. Isso só é verdade nas cabeça duras de oportunistas ou de analistas superficiais.
Read More

Agora é juntar os cacos




Aconteceu o mais provável. O atacante Deivid havia comentado essa semana que o Flamengo possuía apenas 1% de chances de se classificar. Não acredito que tenha dado esse número com alguma base matemática, mas a idéia em si estava correta: as chances do time carioca eram pequenas. Embora eu não pensasse que eram tão irrisórias assim.

Confesso que cheguei a pensar que seria mais fácil ocorrer o empate entre Olímpia e Emelec do que a vitória do Flamengo. Isso devido ao mau aproveitamento dos times de Joel quando precisam atacar. Contudo, o time atacou e atacou bem. Ronaldinho Gaúcho estava em noite inspirada, os volantes e os laterais avançavam e todo o ataque levava perigo à confusa defesa do Lanus. 3 x 0 foi um placar justo e merecido para o que o time apresentou em campo. Talvez sua melhor atuação na competição.

Entretanto, o time não dependia apenas de si. Parecia que conquistaria a vaga, pois o empate na outra partida acabara de ocorrer aos 46 minutos de jogo. Mas o destino gosta de pregar peças, especialmente no futebol. E desta vez o fez até com certa crueldade. Um minuto depois, gol do Emelec. O time equatoriano se classificou para a próxima fase, eliminando o time rubro-negro.

O time ficou triste, a torcida ficou triste. A derrota até já era esperada, mas veio de forma dolorosa. Contudo, é importante frisar que não foi ontem que o Flamengo foi eliminado. A eliminação ocorreu quando o time cedeu empate por 3x3 em 15 minutos ao Olímpia após estar vencendo por 3x0. Também contribuiu para a eliminação a derrota obtida de forma infantil para o Emelec, após pênalti desnecessário cometido por Willians. Esse resultado não só deixou o time rubro-negro em situação difícil, como também trouxe os equatorianos para a disputa. Ontem, o Flamengo já entrou em campo eliminado. Precisava de um milagre, uma sorte. Mas não aconteceu.

Agora resta ao clube juntar os cacos e se concentrar no Estadual. O título carioca com toda certeza acalmaria os ânimos na Gávea, embora a perda do mesmo também possa significar uma crise ainda maior. Mas, para o futuro, seria bom que os dirigentes tentassem mudar a postura na hora de montar um grupo para uma competição como a Libertadores. Trocar de técnico praticamente no meio de uma competição internacional não é o mais recomendado. Principalmente quando se escolhe um sem experiência na mesma. O clube precisa perder velhos hábitos. Um deles é este de especular contratações um dia após uma eliminação. A torcida já não cai mais nesses desvios de foco.
Read More

Papéis invertidos. Resultado também.



Na primeira rodada da Taça Libertadores, pelo seu grupo, o Fluminense derrotou o Boca Juniors em pleno estádio La Bambonera. A vitória foi muito comemorada e exaltada, e com merecimento e justiça. Não é todo dia que vemos um time brasileiro derrotar o time argentino dentro de sua casa. Assim, o feito do Flu mereceu o destaque que teve.

Contudo, talvez tenha havido exagero na exaltação à atuação tricolor. O time nada mais fez do que seguir a receita básica de quando se joga fora de casa: marcação forte e contra-ataques. E assim, decidiu o jogo, aproveitando-se também do talento de jogadores como Fred, Deco e Thiago Neves. Não estou querendo minimizar o resultado (já disse que foi uma vitória de destaque), apenas estou analisando friamente a forma como o time atuou.

Bem, o que se viu ontem no Engenhão foi uma inversão de papéis. Como time mandante, a postura do Fluminense foi diferente. Atacou o Boca Juniors desde o início, como era de se esperar. Já o time argentino, adotou a tática tricolor no jogo em La Bambonera: muita marcação e contra-ataques. Thiago Neves e Deco raramente pegaram na bola sem que houvesse um ou dois marcadores em cima. Some isso à noite pouco inspirada dos laterais e de Fred e o resultado foi a vitória argentina. E, diga-se de passagem, o Boca nem chegou a ser tão perigoso nos contra-ataques. O primeiro gol surgiu de uma falha da defesa tricolor. Somente o segundo gol surgiu numa jogada bem trabalhada.

É curioso notar como alguns colegas jornalistas parecem agora querer minimizar o triunfo argentino. Não sei se por bairrismo ou por despeita, mas já vi comentarem que “Boca jogou como time pequeno”. Ora, por favor... Então o Fluminense jogou como time pequeno lá? Futebol é isso mesmo. E quando dois times grandes se enfrentam não dá para antecipar um resultado. Um pode vencer o outro como visitante e foi o que aconteceu nos dois confrontos.

Enfim, é evidente que esse resultado não é o fim do mundo para o Fluminense. Continua como líder de seu grupo e com grandes chances de ser o primeiro na classificação geral. Na verdade, Abel pode tirar proveito dessa derrota se usá-la como alerta à equipe. O time "perdeu quando podia perder", mas deve entender que na Libertadores nunca se pode entrar em campo muito relaxado. E, principalmente, nunca se deve subestimar um time com a camisa e a tradição do Boca Juniors.
Read More

Na má fase, "joga pra torcida"


Apesar da vitória sobre o Vasco por 2 a 1, Flamengo não apaga, muito menos esconde seus defeitos. A vitória conquistada aos 47 do segundo tempo num pênalti cobrado por Ronaldinho, não chegou a ser injusta, se é que isso existe no futebol. Mas a equipe rubro-negra ficou longe de fazer uma boa partida.
A única coisa que mudou na equipe rubro-negra foi a comemoração. Deixaram de fazer aquelas dancinhas ridículas e comemoraram todos abraçados pra dizer que o grupo está “UNIDO”. A menos que seja indício de uma mudança, verdadeira, de postura, esta comemoração é tão pífia quanto as dancinhas.
Comemorações fora, a equipe flamenguista não demonstrou qualquer mudança de postura diante de um Vasco misto e até um pouco desinteressado. O time continua levando gols de pelada, errando muitos passes e sua maior estrela jogando mal e se movimentando tanto quanto uma preguiça.
Ronaldinho, sempre exaltou o clube e sua torcida. Só que ao fazer o gol da vitória sobre o Vasco, R10 fez um sinal característico da maior torcida “organizada” do clube. Isso o meia ainda não tinha feito. Será que é buscando apoio e fazendo média por conta da sua baixa produtividade? Pior é que parte da torcida cai neste tipo de “armadilha” e grita o nome do jogador. Esse truque não é novo. Assim como o treinador do time pedir para os jogadores agradecerem a torcida. É o que chamam de “jogar pra torcida”.
 Nesta sexta-feira, 6 de abril, a presidente Patrícia Amorim fez uma reunião na concentração do time para cobrar maior comprometimento e melhores resultados. Nesta reunião, o atacante Deivid falou em nome da equipe. Neste caso, não seria o capitão da equipe que deveria ser o porta-voz? Não deveria ser o líder e responder pelo grupo? Talvez o assunto da reunião não seja o forte de R10.

Arbitragem, reclamações vascaínas, policiais e público
A atuação do árbitro Wagner dos Santos Rosa não justifica a confusão armada por alguns jogadores do Vasco. Após o apito final, Rodolfo e Eduardo Costa só não agrediram o árbitro do jogo porque policiais os impediram.
Os jogadores reclamaram por conta de um suposto pênalti que o lateral Thiago Feltri teria sofrido aos 29 do segundo tempo. Tem juiz que marca esse tipo de pênalti, mas não foi.
Outra cena lamentável foi  a do presidente Roberto Dinamite entrando em campo para reclamar da arbitragem. Não que ele não tenha o direito de reclamar, mas ver qualquer presidente de clube entrando no gramado do estádio para dizer que o juiz roubou o seu clube é retrógrado.
Para completar, em meio a confusão entre jogadores e juiz, tinha um policial com arma de fogo. Arma de fogo dentro de um campo de futebol é tão absurdo. Se a arma dispara por algum motivo/acidente? Não foi a primeira vez que vi. Isso não vai dar certo.
Finalizando, é o segundo clássico em uma semana e os dois tiveram públicos de clubes pequenos. O clássico entre Vasco e Flamengo teve um público 14.152 espectadores. Enquanto no domingo passado, o jogo entre Fluminense e Botafogo tiveram 11.340 presentes. Dá-lhe CARIOCÃO!!!
Read More

Cadê a coerência, Jorge Rabello?




No dia 12 de fevereiro, Vasco e Fluminense disputaram jogo válido pela Taça Rio e o time vascaíno foi o vencedor. No entanto, o destaque da partida acabou sendo a péssima arbitragem de Antônio Frederico Schneider. Deixou de dar pênalti, não mostrou cartão, inverteu faltas... Enfim, um desastre.

Obviamente, isso foi motivo de muita reclamação do lado tricolor. Contudo, o presidente da comissão de arbitragem do Rio de Janeiro, Jorge Rabello, esnobou as reclamações. Disse que o árbitro foi bem e que o fluminense é que não estava jogando nada. Já havíamos discutido esse acontecimento aqui.

Contudo, essa prática de ironizar os times que reclamam, parecia ter mudado. No jogo Boavista x Flamengo, novamente uma arbitragem ruim, dessa vez de Felipe Gomes. Primeiro, deixou de expulsar o atacante Tony, do Boavista, após entrada criminosa em Willians. Em seguida, deixou de marcar pênalti para o Boavista num lance em que acabou com um gol de mão, também validado e que causou a derrota do Flamengo por 2x1. Evidentemente, houve muita reclamação do lado rubro-negro. Não poderia ser diferente.

O que foi diferente foi a postura de Jorge Rabello. Em nenhum momento ironizou o Flamengo ou disse que pelo nível de investimento o rubro-negro tinha obrigação de vencer. A única atitude de Jorge Rabello foi afastar o árbitro do jogo.

Mas se enganou quem pensou que Jorge Rabello tinha mudado de postura. Ontem, foi a vez do técnico Oswaldo de Oliveira reclamar da arbitragem. O motivo foi mais uma péssima arbitragem, dessa vez de Leonardo Garcia, que apitou Botafogo x Fluminense. Contudo, na manhã de hoje, Jorge Rabello voltou a ironizar as reclamações. Disse que o Botafogo não teve capacidade de ganhar e que estava reclamando demais.

Ora, onde está a coerência, Sr. Jorge Rabello? Para alguns times você diz que devem olhar para o próprio umbigo, mas para outro o senhor aceitas reclamações e pune o árbitro questionado? O recado que muitos entendem e aí eu me incluo é "não vou defender os árbitros se o reclamante for o Flamengo". E não adianta dizer que no jogo do rubro-negro os erros foram piores porque não foram.

Conforme já dissemos anteriormente, não cabe a Jorge Rabello questionar a qualidade ou aproveitamento técnico dos times. Se o time jogou bem ou mal, isso é problema do treinador. Jorge Rabello, enquanto dirigente do quadro de árbitros, deve se preocupar apenas em zelar pela boa arbitragem e não ficar dando palpite na forma dos times jogarem. Agora, se ele quiser insistir em dar esse tipo de pitaco, que seja para todas as reclamações. E não fique agindo diferente de acordo com o time que reclamar.
Read More

E o Flamengo "Joelou"




A noite de ontem brindou quem acompanha futebol com mais uma daquelas apresentações quando o que parecia impossível aconteceu. O Flamengo vencia por 3x0 até os 31 minutos do segundo tempo, mas permitiu o empate do Olímpia. Como explicar que um jogando em casa consiga levar 3 gols nos 14 minutos finais de jogo?

Alguns comentaristas falam do imponderável. Dizem que ontem não houve culpados. Que essas coisas às vezes acontecem com o Flamengo. Houve até quem dissesse que o time “flamengou”. “Apagão”, relaxamento... Enfim, várias possíveis explicações. Mas eu diria que o Flamengo apenas “joelou”.

Há muito tempo que Joel insiste em um esquema quase suicida. Joel evita agredir o adversário. Aposta que seu time vai resistir à pressão por 90 minutos se for preciso. Ou que vai matar o jogo em dois contra-ataques. O problema é quando seu ferrolho é superado ou então quando precisa se impor no jogo.

Quem não assistiu ou assistiu a apenas parte do jogo, pode achar que o 3x0 foi construído com facilidade, mas não foi o caso. Até o Flamengo fazer o primeiro gol, era o time paraguaio quem ditava o ritmo do jogo, já tendo obrigado Paulo Victor a fazer grande defesa quase em cima da linha. Eis que em uma escapada, bela jogada de Wagner Love, gol de Bottinelli. E a partir daí o Flamengo passa a tocar a bola com mais tranqüilidade. Bem dentro do script Joel Santana.

A vantagem fez com que mais espaços aparecessem na defesa paraguaia. E o Flamengo, em noite inspirada de Ronaldinho, soube se aproveitar disso, ainda que não estivesse realmente se impondo ou encurralando o time paraguaio, como se poderia esperar de uma equipe atuando em casa. Mas eis que com bons passes aproveitando os buracos, o Flamengo rapidamente chegou aos 3x0.

Jogo resolvido? Não! Nunca está quando o time em vantagem não domina o jogo de forma a não deixar o adversário crescer. E o Joel joga assim. O adversário sempre consegue jogar. Aliás, é isso que Joel quer: que o adversário jogue e deixe espaços. O problema, como já dissemos, é quando o adversário chega ao gol.

E eis que isso aconteceu aos 31. Paulo Victor é bom goleiro, mas ainda inexperiente. Fará grandes defesas (como fez ontem) e cometerá algumas falhas. Barreira mal armada, falta bem batida, gol paraguaio. Aí bateu aquela dúvida no time rubro-negro: fechamo-nos mais na defesa ou vamos ao ataque? Enquanto decidiam, 7 minutos depois, nova jogada paraguaia na área do Flamengo. O chute não sai tão forte, mas vai no canto: Segundo gol paraguaio.

Com isso o desespero bateu de vez. O nervosismo tomou conta dos jogadores e as velhas deficiências do time rubro-negro voltaram a ficar evidentes. Uma delas é a fragilidade da defesa pelo alto, fato que ficou evidenciado numa cabeçada do jogador paraguaio que só não resultou em gol devido a outra bela defesa de Paulo Victor. Mas aos 43 não teve jeito: jogada pelo lado de Galhardo (que não consegue subsituir Léo Moura à altura), chute forte e rasteiro, goleiro pula atrasado, empate paraguaio...

É importante frisar que nada disso foi algo tão surpreendente em uma análise mais fria. O gol do Olímpia poderia ter acontecido antes, já que o time do Flamengo em momento nenhum se colocou como dono do jogo. O time do Olímpia aproveitou os espaços dados e teve o mérito de não desistir da partida mesmo com 3x0.

Não podemos ignorar o fato do time do Flamengo estar com muitos desfalques, mas o que se questiona e a postura do time. Atuando no Rio de Janeiro, diante da sua torcida, é obrigação do time carioca não permitir que nenhum adversário cresça e dite o ritmo do jogo. E não será a entrada de apenas um jogador que mudará toda a postura. Nem mesmo se esse jogador for o aclamado Imperador.
Read More

A saída de Ricardo Teixeira. Novos rumos no futebol brasileiro?




Agora é oficial. Após 23 anos no poder, Ricardo Teixeira finalmente deixou o comando da CBF. José Maria Marin, vice-presidente do Sudeste e mandatário em exercício, assume em seu lugar.

É evidente que a saída de Ricardo Teixeira se deu muito mais por motivação política do que por qualquer outro motivo. A relação Governo Federal – CBF – FIFA está azeda e Ricardo Teixeira é quem estava justamente no meio da tempestade. Se a Copa no Brasil fosse realizada somente em 2018, é provável que víssemos Teixeira por mais uns 4 anos, pelo menos, no comando da entidade. Quem não mora no Brasil e não acompanha o nosso futebol, pode achar que pro ter ficado tanto tempo, Teixeira teve um excelente mandato. Mas a história é um pouco diferente.

Teixeira assumiu a CBF em 1989, quando o Brasil já estava há 19 sem sequer disputar uma final de Copa do Mundo. Em seu mandato, a Seleção conseguiu vencer duas Copas do Mundo e ser vice de outra. Venceu ainda 3 Copas das Confederações e 5 Copas Américas. Além disso, Teixeira foi um dos principais articuladores políticos que trouxe a Copa de 2014 para o Brasil. Contudo, ainda no tema "Seleção Brasileira", depois da Copa de 2002, o rumo começou a ser perdido. O caos e oba-oba começaram a proliferar. Convocações cada vez mais numerosas e estranhas. Amistosos marcados mais por motivações políticas e financeiras do que técnicas. Patrocinadores interferindo demais. Assim, vieram os fracassos nas Copas de 2006 e 2010. A Seleção parece não ter se encontrado até agora e periga ser nova decepção em 2014. De todo modo, não se pode negar que Ricardo Teixeira conseguiu boas conquistas para a Seleção Brasileira ao longo de todo mandato. Assim, para a seleção, não se pode dizer que ele foi de todo ruim. Houve muitos contras, mas houve prós também.

Já para o futebol brasileiro, falando dos clubes mais especificamente, pode-se dizer sim que Ricardo Teixeira foi um desastre. Ele até começou bem, criando a Copa do Brasil em 1989, como um campeonato que reunia todos os Estados do país. Contudo, com o passar dos anos, os clubes foram perdendo cada vez mais. Times passaram a excursionar menos. Até o início dos anos 90 era comum vermos times brasileiros fazendo excursões para fora do país. Hoje isso é fato raro. Com isso, o faturamento dos clubes também diminuiu. Com o tempo, o nível técnico do futebol praticado no Brasil caiu vertiginosamente. Se antes tínhamos campeonatos disputados por bons times, hoje a disputa é alta, mas nivelada por baixo. A política do futebol passou a ser formar jogadores para vender para o exterior e no perfil que os times de lá desejam. Cada vez menos se privilegia a técnica no Brasil. Isso sem falar nos escândalos de arbitragem ocorridos em vários anos, dos quais Teixeira sempre tenta ficar distante. Enfim, se por um lado a gestão tentou fortalecer a Seleção, por outro lado enfraqueceu consideravelmente os clubes.

Mas agora que Teixeira saiu o que mudará? Francamente, não acredito em nenhuma mudança nem em curto e nem em médio prazo. Talvez em longo prazo. José Maria Marin é aliado de Teixeira e ainda tem em seu currículo o furto de uma medalha. Não se pode esperar muito além de uma manutenção do que já vem sendo feito, como o próprio Marin já deixou claro. No caso da escolha de um novo mandatário, vários presidentes de Federações surgem como candidatos. Porém, devemos lembrar que se Ricardo Teixeira ficou 23 anos no poder, muito se deve ao apoio dado justamente por esses presidentes de Federações. Como esperar alguma mudança significativa nesse cenário? Também não dá para esperar muita coisa dos demais dirigentes dos clubes, pois sabemos que a maioria deles não está nem um pouco interessada em mudar os rumos do futebol brasileiro. O episódio das cotas de televisionamento deixou isso muito claro.

Contudo, até agora, parece não haver um nome de consenso entre os cartolas para ser o novo mandatário. Comenta-se que os Estados A e B não querem o Estado C no poder, que o Estado C não quer o D e por aí vai. É possível que justamente essa disputa pelo poder seja a chave para que pelo menos sejam evitados mandatos absolutistas como foi o de Teixeira. Uma maior fiscalização e cobrança, causando mais transparência e alternância de idéias podem ser o início de uma mudança de rumos no futebol brasileiro. Se de fato irá ocorrer, só o tempo dirá. Por enquanto, mais do mesmo....
Read More

Guanabara em boas mãos




A final da Taça Guanabara de 2012 em nada fez lembrar os jogos fracos da primeira fase do torneio. O jogo que decidiu o título foi marcado pela alta qualidade técnica e a superioridade da equipe tricolor sobre a cruzmaltina. Não que fosse surpresa a maior qualidade do elenco tricolor. Mas esperava-se um jogo mais disputado, devido ao bom momento vivido pelo time da colina.

Antes das muitas considerações a serem feitas sobre a atuação vascaína, exaltemos a atuação quase que impecável do Fluminense. Com exceção do fraco desempenho do lateral Carlinhos, corrigido pelo técnico Abel Braga no intervalo do jogo, toda a equipe tricolor fez ótima atuação. Jogaram para vencer sem temer o melhor momento do Vasco na competição. Destacando a linha de frente formada por Deco, Thiago Neves, Wellington Nem e Fred que proporcionaram muitas jogadas de pura técnica. Se não fossem as muitas chances claras desperdiçadas, a equipe das Laranjeiras teria saído do Engenhão com um placar histórico.

Foi um excelente jogo. Poderia ter sido mais emocionante se a equipe vascaína tivesse mantido o nível de atuação que vinha tendo até a metade do primeiro tempo, quando chutou uma bola na trave e obrigou Diego Cavalieri a fazer duas difíceis defesas. Em seguida tomou o primeiro gol e perdeu uma de suas maiores qualidades, a organização. A ponto do zagueiro Dedé, a partir da metade da etapa derradeira, largar a zaga e passar a atuar de centroavante. Parecia pelada, como muito bem definiu Júnior, comentarista da TV Globo.

Não dá pra entender porque o Rodolfo, companheiro de Dedé na zaga, chegou ao clube com titularidade indiscutível. Já cometeu algumas falhas graves como no jogo contra o Nacional do Uruguai e neste domingo teve outro desempenho medíocre. A zaga que deu certo no ano passado era formada por Dedé e Renato Silva, hoje no banco. O técnico Cristóvão Borges tem sua parcela de culpa. Por que perdendo por 3 a 0 ele substituiu Felipe Bastos por Eduardo Costa? Apesar de ter marcado o gol de honra vascaíno, não era o que o time precisava no momento. Precisava parar de alçar bola dentro da área e tocá-la com organização. Quando colocou Felipe já era tarde. Apesar da meia pressão que ensaiou. Muito mais na base da vontade do que na qualidade técnica. No final, 3 a 1 foi pouco.

Assim como nas semifinais, a final serviu para ratificar que quando chegam às fases decisivas, equipes competitivas se enfrentando, o nível cresce. Diferentemente da primeira fase, onde a maioria dos clubes de baixo investimento não oferece resistência. Fluminense fez bons jogos contra Botafogo e Vasco. Talvez por ter sido mais exigido ou por se interessar mais. E isso é o que importa. Sendo assim, após 19 anos de espera, o título está em boas mãos.




Read More